Rodrigo Leça, 23 anos, primo da Isabela, é recém-formado no curso de Comunicação Social da UERJ, com habilitação em Relações Públicas. Fizemos uma entrevista com ele a fim de saber quais são as suas impressões a respeito da profissão de RP, do curso, do campo e do mercado de trabalho e sem nos esquecer, é claro, da tão discutida definição de Relações Públicas.
Re[ve]lações Públicas: Primeiramente, como não poderia deixar de ser, a tão famosa pergunta: para você, o que é Relações Públicas?
Rodrigo: Administrativamente, é o que o próprio nome diz. É cuidar da relação que determinada organização tem com seus públicos (ou públicos-alvo), tanto internos quanto externos.
Re[ve]lações Públicas: Você tem hoje a mesma impressão da profissão de RP que você tinha quando entrou no curso?
Rodrigo: De forma alguma.
Re[ve]lações Públicas: O que mudou?
Rodrigo: Na verdade, quando entrei no curso, como a maioria das pessoas, eu não fazia idéia do que viria a ser Relações Públicas. Meus conceitos em relação à profissão mudaram várias vezes, aprendi muito do que essa profissão tem de bom e do que tem de ruim.
Re[ve]lações Públicas: Por que você optou pelo curso de relações públicas?
Rodrigo: Na verdade eu queira propaganda, mas pelo que eu li a respeito de Relações Públicas numa revista, decidi fazer uma tentativa para esse curso na UERJ, já que lá não existia o curso de publicidade e propaganda. Foi a única prova em que eu passei, então fui me ambientando na faculdade para ver se era isso mesmo o que eu queria. Acabei gostando mais de RP que de publicidade e fiquei até o final.
Re[ve]lações Públicas: Você já trabalhou na área de Relações Públicas?
Rodrigo: Já fiz estágio.
Re[ve]lações Públicas: Como era esse estágio?
Rodrigo: O estágio consistia em basicamente lidar com toda a área de comunicação institucional da faculdade (desde impressos, cartas e cartazes internos até grandes eventos e festas formais), além de eventuais trabalhos para outras organizações, com um grupo de mais ou menos 10 pessoas dividido em equipes em um escritório modelo, cada uma lidando com um dos projetos que estavam sendo desenvolvidos naquele momento.
Re[ve]lações Públicas: Você pretende seguir carreira de RP?
Rodrigo: Antes pretendia, mas agora creio que não.
Re[ve]lações Públicas: Por que não?
Rodrigo: É uma área que na maioria das vezes requer um tipo de personalidade mais diplomática, e que enfrenta muitas barreiras e preconceitos ainda no Brasil e no mundo. Geralmente são tidos como os que varrem as sujeiras organizacionais para baixo do tapete (o que não é de maneira alguma a sua finalidade), e enfrentam obstáculos que vem de dentro e de fora da organização. Requer bastante gosto pela profissão, e às vezes penso que até um senso de renúncia.
Re[ve]lações Públicas: Qual a sua impressão a respeito do mercado de trabalho para o RP?
Rodrigo: Está crescendo, mas não sei o quanto ainda irá crescer. Felizmente, apesar de tudo, é uma profissão que está ganhando reconhecimento e tem um mercado ao menos razoável, e apesar de ainda não ser muito amplo, a tendência é aumentar, pelo menos um pouco.
Re[ve]lações Públicas: Qual é o campo de trabalho do RP? Ele é vasto?
Rodrigo: Vastíssimo. É só pensar em qualquer coisa relacionada à comunicação, que o RP pode estar envolvido. Mas há o bom senso. Por exemplo, se o seu projeto requer em larga escala a comunicação impressa, ele não faria o trabalho de um jornalista. Ele trabalharia com um.
Re[ve]lações Públicas: Temos percebido que, ultimamente, poucas pessoas têm escolhido seguir a habilitação de Relações Públicas. A maioria escolhe jornalismo ou publicidade e propaganda e muitas nem sabem o que, de fato, é Relações Públicas. A que você atribui essa desvalorização do curso?
Rodrigo: Mesmo no nosso meio nós falamos que devemos "fazer o nosso próprio RP". Falta justamente uma divulgação, uma difusão no senso comum sobre essa profissão. Mas também é ingênuo pensar que do dia para a noite poderíamos competir em prestígio com jornalismo e propaganda, que já podem ser considerados o tipo de faculdade "tradicional", como direito e medicina. Nós ainda estamos tentando construir essa tradição.
Re[ve]lações Públicas: Se você pudesse voltar no tempo e escolher uma outra habilitação dentro da comunicação, você o faria?
Rodrigo: Não. Desde o começo eu sabia que, fizesse o que fizesse, eu queria estar na comunicação. E a profissão de Relações Públicas foi a que mais poderia ter me ensinado a respeito de comunicação, no geral, e realmente ensinou, mais que qualquer outra. É uma profissão em que você não se preocupa somente em transmitir alguma coisa, mas também em ouvir e entender o seu interlocutor.
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