
Localizar com precisão o ramo de que tratam as Relações Públicas na área das Ciências Humanas e da Comunicação ajuda a compreender o que envolve o estudo e a prática da área.
Relações Públicas é uma Ciência Social aplicada - tratam da vida e da realidade social, das relações humanas. Segundo o autor Edward Bernays, "as relações públicas cobrem o relacionamento de um homem, uma instituição ou idéia com seus públicos". Assim, a formação de um profissional de RP abrange muitos conhecimentos teóricos de sociologia, psicologia social, antropologia e história, dentre outras disciplinas.
O autor James Grunig considera as Relações Públicas como a área mais ampla e menos desenvolvida da comunicação, com pelo menos quatro objetivos distintos: propaganda, disseminação de informação, persuasão científica e compreensão mútua.
Nos últimos anos vem ocorrendo uma mudança terminológica, a substituição de "Relações Públicas" por "Comunicação". Esta mudança é um primeiro sintoma da perda de espaço enfrentada pelas Relações Públicas em relação às demais áreas da comunicação, sobretudo do Marketing (que trata de questões mercadológicas, enquanto RP trata do aspecto institucional). Dentre os motivos do enfraquecimento da área de RP está a sua própria regulamentação legal, que concede direito exclusivo de exercer a profissão a bacharéis com habilitação específica - o baixo nível das escolas de comunicação, conforme afirmam muitos profissionais que as freqüentaram, faz com que a formação universitária serve apenas para oferecer a possibilidade do registro profissional.
O contexto da comunicação organizacional está proximamente relacionado às Relações Públicas, especialmente no Brasil, devido à maior concentração de profissionais de pesquisadores com ênfase nesta área. A tônica dos cursos de RP geralmente recai na prática da comunicação nas organizações por meio quase que exclusivamente de manuais e salas de aula - daí, talvez, o limitado desenvolvimento da profissão que se constata atualmente.
A fragmentação das Relações Públicas, conforme explicado por um profissional da área, provém de que "não tivemos a devida competência, como os jornalistas e os publicitários, para valorizar e prestigiar nossa profissão".
A autora Margarida M. K. Kunsch, na conclusão de seu livro Relações Públicas e Modernidade, demonstra bem esse problema:
"Hoje em dia, não é possível mais pensar, por exemplo, em realizar uma brilhante assessoria de imprensa, criar campanhas retumbantes ou produzir peças publicitárias impactantes de forma isolada, sem o envolvimento de todas as subáreas da comunicação organizacional. Para que as relações públicas possam realmente atuar com eficácia no contexto das organizações modernas, elas terão de sair da fragmentação para a globalização da comunicação. As tendências apontam (...) comunicação integrada (...). Sua atividade tem de ser encarada como uma função estratégica".
Texto adaptado de: KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997 (Coleção Novas buscas em comunicação).
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