Para quem gostou da primeira parte da entrevista com a analista de comunicação da Fundep, Emanuela São Pedro, e ficou curioso para saber o que mais ela nos revelou a respeito do exercício profissional de Relações Públicas, segue abaixo segunda parte da entrevista.
Re[ve]lações Públicas: Sobre Relações Públicas em geral, até que ponto você acredita que a universidade prepara o aluno para o mercado de trabalho?
Emanuela: Eu acho que tem jeito de misturar a prática e a teoria e viver isso dentro da universidade. Estamos em uma universidade pública que carece de recursos, mas eu aprendi a trabalhar com poucos recursos desde que fui para o Vale do Jequitinhonha, então eu sei dar o "jeitinho". A universidade dá um embasamento teórico muito interessante, principalmente dentro da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. A oportunidade de fazer matérias eletivas e de ter uma formação complementar em outra área é muito enriquecedora, e isso tem que ser aproveitado da melhor forma pelo aluno, independente do que ele vai exercer quando se formar, para que lado das Relações Públicas ele vai andar. É uma formação humana e teórica muito interessante. A parte da falta de recursos para laboratórios e para ter vários professores de RP, por exemplo, é uma deficiência sim, não vou negar, mas têm outras coisas que o aluno tem que procurar enxergar aqui dentro. Essa possibilidade de exercer atividades práticas com o respaldo da universidade, porque você vai estar dentro de um programa que é da UFMG, com a coordenação de um professor, é o que fez a diferença na minha graduação. Com toda sinceridade, eu hoje sou a profissional que eu sou, e eu acho que sou uma boa profissional, pela vivência que eu tive durante a graduação com trabalhos de extensão, de pesquisa e de ensino. Quem tiver oportunidade, tem que correr atrás, tem que participar, porque isso faz a diferença, e esse é um diferencial da UFMG. Isso me possibilitou praticar e conhecer, com alguém por trás me ajudando, alguém me dando apoio, que é o nome da UFMG, um nome muito forte, e o professor coordenador. Você tem uma atividade prática, que pode não ser realizada no mesmo tempo que no mercado, mas é muito importante, principalmente porque você vai ter aquela ajuda, vai ter a quem recorrer, a quem tirar suas dúvidas, e isso é essencial. Eu sou suspeita para falar, porque a minha graduação foi um sucesso, principalmente por causa disso. E eu sou muito apaixonada por tudo que eu faço, pela minha profissão, meu trabalho. Eu fiz tudo com muito amor, muita paixão, durante os 4 anos, e foi bom demais. A dica que eu dou para todo mundo que está cursando Comunicação é: faça RP e vá para o Vale do Jequitinhonha.
Re[ve]lações Públicas: Em relação ao exercício da profissão, você acha que o campo de trabalho é vasto?
Emanuela: Eu acho que ele tem "ene" possibilidades de atuação. A pessoa que entende a profissão, que gosta do que faz e que é bom profissional, tem espaço para qualquer lugar que ela for, para o que ela decidir fazer dentro de RP. Eu acredito nisso.
Re[ve]lações Públicas: E sobre o sindicato? Você é filiada?
Emanuela: RP tem um Conselho. Quando eu formei, a primeira coisa que eu fiz foi ir lá. Apesar de não ter o diploma ainda, porque aqui na UFMG demora um pouco, você tem só o Certificado de Conclusão, eu fui lá, tirei minha carteira provisória, e agora, depois de um ano, eu tive que renovar essa carteira provisória. Estou correndo atrás do diploma para fazer a carteira definitiva. Eu acho que é importante demais você estar em dia com a sua profissão, legalizada, e apoiando esse órgão, que está em vigilância pelo exercício da sua profissão e garante os seus direitos. Eu acho que a consolidação da profissão está também em se apoiar a entidade de classe que representa.
Re[ve]lações Públicas: Já falamos vários pontos positivos da profissão. Tem algum ponto negativo?
Emanuela: Só que você tem que trabalhar demais, mas é bom quando você trabalha e gosta do que faz. Olha, se eu tiver que pensar em um ponto negativo, eu vou demorar um pouquinho para achar. Lógico que tem, mas eu gosto tanto do que eu faço, estou tão satisfeita e tão feliz que eu vou ter que pensar muito para achar. Mas tem, lógico que tem. É que os pontos positivos superam.
Emanuela: Vocês vão fazer RP?
Re[ve]lações Públicas: Não pretendemos, mas ainda está cedo. A propaganda foi tão boa que é um caso a se pensar. Emanuela: Olha, pelo menos para conhecer, façam essa matéria, "Técnicas e Processos de Relações Públicas" e leiam esse livro ("Obtendo Resultados com Relações Públicas", da Margarida Kunsch.). A leitura é ótima, o livro é grande mas é legal. E o engraçado foi o seguinte: é um livro de cases, de casos em RP. E o que me chamou mais atenção foi um case contando como que foi a construção do Túnel da Lagoinha, que contava como que o RP atuou para fazer essa ponte entre a construtora do túnel e a comunidade que estava ali muito próxima àquela construção, que tinha muito barulho, muito problema, muita sujeira, muita poeira. Aí eu fiquei pensando: gente, RP faz isso? Que legal isso de trabalhar com a comunidade. E foi o caminho que eu percorri durante a minha graduação, ou seja, o RP a serviço da comunidade, que foi lá no Vale do Jequitinhonha, no Projeto Manuelzão e meu Projeto Experimental, tanto de Jornalismo quando de RP tiveram tudo a ver com isso e hoje eu ainda faço alguns trabalhos nessa área. Eu pretendo consolidar isso, trilhar um caminho e trabalhar com a Comunicação para Mobilização Social, que vocês vão conhecer no curso mais para frente. É uma área, uma metodologia, que foi criada pela UFMG, coordenada pelo professor Márcio, com alunos que já passaram e que ainda estão na graduação, e no Brasil inteiro não tem nada tão parecido com isso. Tem algumas coisas afins, tem a Cecília Peruzzo trabalhando com Comunicação e Movimentos Sociais, mas a Comunicação para Mobilização Social é uma coisa nossa daqui de dentro, que é o mais legal. E é o RP trabalhando com a comunidade. Então, lá no segundo período, a coisa que me chamou mais atenção da profissão, graças a Deus, é o que eu trabalho hoje, é a que eu tenho mais empolgação e que eu não vou parar. Atualmente eu dou algumas oficinas sobre esse tema, porque dentro de Comunicação para Mobilização Social, o meu grupo de Projeto Experimental aumentou um pouco mais essa metodologia e está trabalhando a Mobilização de Ações Culturais. Então, nós trabalhamos no Movimento Cultural do Vale do Jequitinhonha, hoje estamos levando isso para outras áreas e fazemos oficinas para passar esse conhecimento. É uma coisa que, por mais que esteja andando devagar, nós queremos trilhar o nosso caminho, fazer os nossos contatos e futuramente trabalhar com isso.
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